quarta-feira, 13 de abril de 2011

Sotaque do Oeste Catarinense em trabalho de comunicação social


Para quem fala "e-re" em vez de "erre" no oeste catarinense e norte do RS: programa de rádio premiado explica sobre questão linguística no oeste catarinense, como a troca do "erre" pelo "e-re" na fala dos descendentes de imigrantes que colonizaram a área. O programa "Falando Grego", de Marcionize Elis Bavaresco e  Marília Maróstica (da Universidade do Oeste de Santa Catarina -Unoesc-, de São Miguel do Oeste, SC) apresenta que esta peculiar fala regional deve ser tratada, sendo um erro se comparada com a norma culta da língua portuguesa -segundo os especialistas citados-, algo mais que simples sotaque, que deve ser corrigido. Escute o programa no link: 
http://www.portcom.intercom.org.br/expocom/expocomnacional/index.php/AUDIO-2008/article/download/246/186

Atalho para relatório do trabalho apresentado no Intercom / Expocom 2008: http://www.intercom.org.br/papers/nacionais/2008/expocom/EXP-3-1864-1.pdf


Sobre o que afirma a matéria, lembro que a língua é um organismo vivo, mas também é uma ferramenta de poder social e cultural, instrumento de unificação e separação dos povos. Para julgar o que é "certo" ou "errado" no uso de uma língua deve-se levar em conta a cultura de cada povo e o ambiente onde a língua está sendo aplicada. Logo, não existe português "certo" ou "errado" fora do ambiente escolar. A norma culta do Português segue para balizar a instrução e a avaliação em sala de aula, mas não deve ser motivo para preconceitos linguísticos que menosprezem diferentes formas de falar no seio familiar e social, na fala informal de diferentes comunidades. Lembro que na escola a norma culta deve ser proferida -e exigida nas avaliações! Neste ponto, o professor deve ter muito cuidado e sensibilidade para não cair no preconceito linguístico. O professor deve mostrar ao estudante que cada dialeto tem hora e lugar para ser usado.
Muitos dos brasileiros, depois de todo o tempo passado no ensino fundamental, médio e também acadêmico, ainda escrevem e falam muito mal quando a norma culta da língua é exigida -não por simples opção aos padrões da língua popular, mas por falta de preparo mesmo- pois não aprenderam de fato a norma culta da língua portuguesa, aquilo que deveria ser aprendido na escola. Que a língua é um organismo vivo, tudo bem. Ruim é quando uma língua padrão é abandonada ou ignorada, como é o caso da nossa língua padrão "escolar" -aí é outra história. 
No fim, a distorção de uma língua gera outra diferente, igualmente perfeita e funcional: um dialeto deriva outro.
Veja a opinião de Olavo de Carvalho sobre o assunto:






Assista aos vídeos da entrevista com o professor Sirio Possenti, pelo Juca Kifouri, para saber o que ele pensa sobre o tema.